Artigos Técnicos
Amer J. Feres - PY2DJW - py2djw@gmail.com


TRANSMISSORES DE AM 

GERADORES DE FREQÜÊNCIA



Amer J. Feres, PY2DJW
  py2djw@gmail.com

Depois da FONTE DE ALIMENTAÇÃO, que é a geradora de potência (força motora) do transmissor  temos que decidir sobre a  fonte  GERADORA DE FREQÜÊNCIA para o transmissor. Você pode optar por fazer um transmissor  com freqüência controlada só a cristal, ou preferir montar um VFO (Oscilador de Freqüência Variável) para poder deslocar-se ao longo da faixa sem a incômoda troca de cristais. Ou, ainda, você poderá querer ter os dois tipos de oscilador incorporados ao seu transmissor comutando-os através de uma simples chave.

                 Em ambos há vantagens e desvantagens. Com o cristal você terá a certeza  da precisão de freqüência e da estabilidade. Com o VFO você terá a mobilidade ao longo do segmento da faixa utilizada.

                 Há centenas de tipos e projetos desses osciladores, mas daremos um tipo de cada, pois são esquemas testados há anos e que funcionam facilmente utilizando-se de materiais comuns para a construção.

                  Para o oscilador a  cristal   recomendaríamos colocar soquete do cristal no painel frontal do transmissor, facilitando, assim, a troca de xtais.

                   Para a montagem do VFO recomendaríamos a escolha de materiais de boa qualidade e uma construção mecânica firme e robusta, evitando trepidações e deslizamentos de freqüência.

 



VFO DOBRADOR 

 

                          Construa primeiro as bobinas, faça uma “penduragem” em barras de terminais ou plaqueta padrão, ajuste o que for necessário e só depois passe à montagem definitiva.

                          A bobina osciladora L1  é feita sobre um núcleo de ferrite rosqueado, com furo sextavado, desses retirados dos tubinhos de FI , com 6,5 mm de diâmetro e mais ou menos 10 mm de comprimento. As espiras são enroladas passando-as por dentro do furo do ferrite .  São  32 espiras de fio esmaltado Nº 32 AWG.  ( Dá, mais ou menos , uma indutância de 13 a 14  microHenry  - isso para aqueles que gostam de medidas e comparações). A bobina também poderá ser enrolada em forma tubular ou em núcleo toroidal, porém o número de espiras e o capacitor em paralelo com esta bobina terão que ser experimentados.

                         Recomendamos montar primeiro  o transistor oscilador  com todos as  seus componentes, energizá-lo e verificar, com um frequencímetro  ou um re-ceptor calibrado  se o circuito está oscilando e a cobertura que está alcançando. Com  os valores especificados no circuito e o capacitor variável totalmente fecha-do , deverá estar oscilando próximo de 3500  kHz, pois esta etapa está  sintoni –zada  em 80 metros.

                        Se estiver oscilando acima de 3500 kHz, juntam-se pequenas ca-pacitâncias (2 pF ou 4,7 pF ) ao capacitor C1.   Se o circuito inicial oscilar muito abaixo dos 3500 kHz, poderá ser diminuida a capacitância de  C1.

                         Esses ajustes são um jogo de paciência, mas a idéia é não utili –zar “trimmers” para o ajuste fino. Os “trimmers” são peças mecânicas  móveis   e costumam estar sujeitos a variações com temperatura, umidade, poeira etc, oca-sionando  instabilidade de frequência. Também vale a pena lembrar que é preferí-vel utilizar dois ou  três capacitores em paralelo para se alcançar o valor do cir  -cuito  L C do oscilador, do que usar um único capacitor. Dois ou três capacitores em paralelo costumam sofrer menor alteração (dilatação mecânica) do que um só de grande valor.

                        Terminado o ajuste de início da faixa  começa-se o ajuste do espa- lhamento  da faixa (cobertura do variável). Se você tiver um variável metálico  de boa qualidade e decidir usá-lo,é preferível. Mas nós utilizamos uma seção de variável de PVC, que deve ter cerca de 175 pF totalmente fechado, em série com um capacitor Styroflex  fixo, de 47 pF (C2). Primeiro verifique  se , com o variável totalmente aberto, a frequência chega  a 3650 ou 3700 kHz  ( que dobrada dará cobertura total para a faixa de 40 metros). Sendo necessário ALARGAR a cober- tura do variável, troque o capacitor de 47 pF por um maior, de 56 pF, por exemplo. Se for para ESTREITAR a cobertura, troca-se o capacitor de 47 pF  por um menor, 39 pF mais ou menos.  É bom rever  a oscilação no início da faixa após os ajustes de espalhamento, pois às vezes torna-se necessário reajustar o valor de C1.

                         Esses acertos no circuito oscilador  são o grande desafio para se  montar um bom VFO. Uma vez conseguida uma  etapa osciladora  estável e cobrindo a frequência desejada, podem-se terminar a montagem das demais etapas.

                        A bobina  L 2  é a bobina dobradora. É enrolada no mesmo tipo de núcleo que  L 1.  São  20  espiras de fio esmaltado  Nº 30 ou 28 . Em paralelo usa-se um capacitor Styroflex entre  33  e  56  pF  ( C8 ). Damos este valor aproximado porque é difícil se conhece a densidade do núcleo de ferrite usado, geralmente retirado de sucata e um ajuste na capacitância em paralelo ajuda a otimizar o circuito. Uma vez ajustada esta etapa ela vai dobrar a freqüência do oscilador inicial para conseguirmos saída em 40 metros (mais ou menos 7000 a

7400 kHz). Se depois de montado o dobrador você notar que ele está dando mais saída no começo ou no final da faixa troque o valor do capacitor em paralelo para que a saída seja bem “plana” do começo ao fim da faixa.

                         Este VFO depois de ajustado costuma dar de 4 a 6 volts de RF, o  que é mais do que suficiente para excitar  a grade de uma válvula do tipo  12BY7, 6CL6,5763, ECL82  ou similares, ou um excitador transistorizado do tipo TARUIRA, já divulgado e revistas e “sites”.

.                           Ah !  Mais um lembrete. Este VFO está saindo em 40 metros, mas  se você pretende fazê-lo excitar um transmissor em 80 metros basta acres- centar um capacitor de 330 pF em paralelo com  C 8 (circuito dobrador) e você terá a saída do VFO em  3500 a  3700  kHZ. Ainda mais, se você decidir usá-lo nas duas faixas (40 e 80)  é  só colocar uma chavinha ligando ou desligando este capacitor de 330 pF no circuito de L2.         


                          Relação de Materiais:           

 

                          Resistores   (todos de  ¼  de watt)                   

                           R1  -  56  k                         

                           R2  -  8K2

                           R3  e  R13  -  470 R

                           R4 e R11 – 1 K

                           R5  -  27 K

                           R6  -  15 K

                           R7  -   100 R

                           R8  -   560 R

                           R9  -  10 K

                           R10  - 47 K

                           R12  - 47 R

                        

                         Capacitores              

                         C1  -  160 pF Styroflex 
                         (para a bobina aqui recomendada)

                         C2  -   de 33 a 69 pF  Styroflex, para 
                         estreitar ou alargar a cobertura de faixa

                         C3  -  Variável de PVC, do tipo usado 
                         em rádios portáteis. Usa-se uma só seção.

                         C4  e  C5  -  1 kpF, Styroflex

                         C6 e C13 -  100 k, cerâmico ou poliester

                         C10 e C13  -  10 kpF, cerâmico ou poliester

                         C7  -   de 15 a 33 pF, Styroflex
                         Ajustar para o melhor ganho.

                         C8  -   de 33 a 56  pF, Styroflex
                         Ajustar para o melhor ganho .

                         C9  -   4K7, cerâmico ou poliester

                         C11 -  de 47 a 100 pF, Styroflex.  
                         Ajustar para a melhor saída .

                         C12  -  47 k, cerâmico ou poliester

                         
                         Transistores 

                          Q1, Q2, Q3 e Q4  -  BF 494, BF 190  ou similar

                          Diodo zener (Z1) – 8v1

                           
                         Indutores   
                        
Conforme descritos no texto                                              

( Este  VFO  é, com pequenas modificações, o mesmo que foi publicado na  revista ANTENNA-ELETRÔNICA POPULAR    Vol. 108, Nº 2, de set/out  de  1994).

     



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