PY1UAP - BiraLogotipo Feirinha DIGITAL
Terça-feira dia 11 de janeiro de 2011, por volta das 21:00h o tempo começou a ficar nublado, e percebíamos clarões sobre as montanhas. Um vento forte começou a balançar as árvores e a tempestade se aproximava. Tudo normal para esta época do ano, em que as chuvas de verão, aparecem e rapidamente vão embora, sem causar muitos problemas. Por volta das 23:00h, fomos dormir, como de costume, sem nenhuma preocupação, e não havia nada que pudesse tirar a nossa tranquilidade. Assim deve ter sido com muitas famílias em toda a região serrana. Entretanto, por volta das 02:00h da madrugada de quarta-feita dia 22 de janeiro de 2011, acordamos assustados com o barulho da chuva sobre o nosso telhado e vidros da janela do quarto, com muitos clarões e estrondos sobre o nosso vale. Levantamos assustados e fomos olhar para fora da casa e nos assustamos mais ainda. As nuvens pareciam tocar o chão, os raios surgiam numa sequência tão rápida que o vale permanecia iluminado, como se muitas lâmpadas estivessem acesas, iluminando também o topo das montanhas e dava para ver a água da chuva, já em forma de cachoeira, descendo montanha abaixo, e um barulho ensurdecedor da água da chuva sobre o telhado, das trovoadas e neste momento, já não havia mais energia elétrica e nem rede de telefonia fixa ou celular para que pudéssemos nos comunicar com vizinhos e amigos para tentar saber da extensão deste dilúvio.

O nervosismo e o medo começou a tomar conta de todos nós quando começamos  a escutar gritos de pessoas pelo meio da rua, abafados pelo barulho da chuva e dos trovões, e sem entender o que estava acontecendo, resolvemos sair para verificar. Veio o segundo grande impacto sobre nós. Nosso quintal parecia um rio e ao abrir o portão para olhar a rua, não conseguíamos ver a estrada, que parecia um rio caudaloso, pessoas procurando pontos altos no que seria o outro lado da estrada, pois as casas próximas ao rio que fica cerca de 100 metros da minha casa, numa parte mais baixa, estavam encobertas, e as águas do rio, passavam levando tudo o que encontrava pela sua frente.

Lembramos que nossa filha morava cerca de 3km de distância da nossa casa, justamente daquele lado da estrada, a cerca de 50 metros do rio, em uma vila de 10 casas, numa parte alta, cerca de 6 metros de altura em relação ao leito do rio. Ficamos desesperados, tentamos passar mas não conseguimos, pois o rio havia subido cerca de 10 metros e no trecho da estrada onde nossa filha morava, a água já havia subido 3 metros de altura cobrindo todo aquele trecho da estrada. Esquecemos dos raios, da chuva, o desespero tomou conta da minha esposa, pois nossa filha, nosso neto, genro e amigos, estavam isolados e não conseguíamos chegar para ajudá-os.

Os gritos aumentavam, pessoas distantes pedindo ajuda, barreiras caindo a nossa frente, a lama trazida pelas águas, já começavam a nos prender atrasando a nossa caminhada  e não sabíamos mais o que fazer para ajudar as pessoas e a nossa filha e neto. As lágrimas vieram, pois a situação indicava que dificilmente veríamos a nossa filha e o nosso netinho Davi com vida. Não queríamos desistir e não conseguíamos prosseguir em frente, pois as dificuldades eram imensas, e a força das águas impediam, mesmo quando nos livrávamos da lama, de ir em frente, pois éramos jogados em direção contrária. Nesta altura, já passavam das 3:30h da madrugada de quarta-feira e a chuva começou a se deslocar em direção a Nova Friburgo. O volume das águas diminuiu um pouco e conseguimos avançar até um certo ponto, pois a lama já estava na altura da nossa cintura, e ainda havia mais de 1,5m de água cobrindo todo o trecho da estrada mais a nossa frente. Outros moradores se juntaram a nós, vendo o nosso desespero e lembrando também dos vizinhos que moravam mais adiante, muitos amigos de longa data, gente simples que moravam a beira da estrada e uma grande maioria de trabalhadores rurais que trabalham na produção rural, estavam separados por este mar de lama e água barrenta. Começamos a chamar pelos nomes, na esperança de que alguém respondesse e pudesse dar notícias. Mas, nada conseguimos. O barulho das trovoadas e das chuvas ainda eram muito altos e o das águas do rio também, ensurdeciam qualquer outro ruído que não estivesse muito próximo a nós. Continuamos tentando avançar, quando surgiram alguns conhecidos, com enxadas, pás, e outros objetos comuns aqui no campo, e abriram passagem pela mata junto a uma fazenda na margem esquerda da estrada, e subiram, passando por cima de algumas barreiras que haviam caído.  Foram literalmente por dentro do Mato, até chegar no ponto onde haviam muitas casas, onde morava a minha filha. Nós ficamos parados, aguardando o retorno de notícias e rezando muito, pelas vidas das pessoas que moram neste local, para que tivessem, de alguma maneira, escapado da fúria das águas.

Por volta das 04:30 da madrugada, ainda muito escuro e chovendo bastante, uma daquelas pessoas que conseguiram passar pela mata, retornou para fazer o relatório de que as casas encontravam-se completamente cobertas pelas águas, que parte delas teriam sido destruídas e levadas, mas, que algumas pessoas conseguiram acordar, dar o alarme e escaparam para uma parte alta, e estavam seguras. Molhadas, com água cobrindo os joelhos, mas vivas.

Nossa esperança renasceu e ganhamos forças para continuar tentando chegar até o local, mas, sem muito sucesso. O dia começou a clarear, embora continuasse chovendo muito, já dava para ver os estragos a nossa volta. Meu Deus, quanta tristeza, quanta destruição, o medo estampado na face das pessoas que chegavam e se aglutinavam, tentando saber do ocorrido e de alguma maneira tentando ajudar. Na medida em que conseguíamos ver mais distante, pela luz do dia que clareava mais e mais, percebíamos a gravidade da situação.

Muitas casas haviam desaparecido da nossa vista, a paisagem estava completamente mudada, gritos ainda ecoavam no vale, que com a chuva mais fraca, o barulho também havia diminuído, e já conseguíamos entender os pedidos de socorro. Olhávamos para um lado e haviam pedras, barro e árvores impedindo a passagem para a cidade, olhávamos para o outro lado e a situação não era diferente. Tentamos dar a volta e nos dirigimos para a ponte que atravessava o rio, para através do pasto de uma fazenda, chegar até a direção das casas no local onde minha filha morava. Mas, não havia mais ponte. Ela foi levada pelas águas, e não dava para perceber nem os pedaços de ferragem que haviam sobrado.

Por volta das 8:30 da manhã, algumas pessoas conseguiram através do caminho aberto pelos vizinhos, pela mata, chegar até um ponto onde conseguíamos ver os sobreviventes e gritando, conseguíamos contato. Que alívio, minha filha estava entre eles, com o seu marido e o meu neto. Forças surgiram não sei de onde, e atravessamos a lama e a água barrenta, e conseguimos chegar até eles. Muito choro, muitos abraços e afagos, pegamos o meu neto Davi, abraçamos nossa filha e nosso genro e conseguimos caminhar com dificuldade, água na altura do peito, isto no meio do que deveria ser uma estrada asfaltada, com muita dificuldade para dar cada passo, devido a lama que nos prendia ao chão, chegamos de volta em nossa casa, onde constatamos que eles estavam ilesos. Apenas muito assustados, sujos, molhados e entristecidos, pois passaram por uma experiência traumática, de onde quase não conseguem sair com vida. Eles disseram que estavam dormindo, quando escutaram gritos e acordaram com a água já subindo pela sua cama e pelo berço do Davi. Imediatamente se levantaram e pegaram o Davi e saíram correndo para a parte mais alta do terreno onde já haviam outras pessoas. Dali, puderam assistir as águas levarem toda a varanda da sua casa como se fosse uma folha de papel, e encher até o teto, tapando todas as janelas e portas. Não havia mais nada. Foi por poucos minutos que conseguiram se salvar.

Passado este primeiro momento, viram as casas dos seus vizinhos serem invadidas pelas águas, casas inteiras sendo levadas e destruídas, ouviram muitos gritos e pedidos de socorro, mas não podiam se mexer, com muito medo, pois haviam outras barreiras caindo próximo da onde eles estavam e viveram o pior pesadelo de suas vidas. Mais calmos, embora abalados, deixei-os em minha casa e saí para tentar ajudar outras pessoas, mas, não havia muito o que fazer.

Estávamos completamente isolados, sem notícias, sem telefone, sem nada. As águas começaram a baixar na estrada, ficando somente a lama e o barro, com as coisas que foram trazidas pelas águas do rio e da chuva, e tentamos atravessar aquele trecho que ia para o interior, onde sabíamos haver muitas vilas e condomínios. Começamos a nos deparar com corpos de pessoas que haviam se afogado na estrada, quando tentavam fugir da enchente, mas a estrada havia se transformado em um rio com mais de 3 metros de profundidade. Passamos, vencemos algumas barreiras e nos deparamos com uma situação aterrorizante. A paisagem completamente mudada, o rio havia alargado suas margens em alguns pontos, para mais de 15 metros, quando anteriormente não passava de 8 metros. Casas haviam desaparecido, árvores arrancadas pela raiz, todos os postes da região foram levados pelas águas e haviam desaparecido, todas as pontes de acesso aos condomínios como Fazenda Suíça, Brejal, Granja Mafra foram arrancadas e destruídas. Corpos, partes de corpos, animais, objetos e partes de casas, passavam sendo arrastados pelas águas do rio, como numa cena de filme de terror, mas, não era ficção, era a realidade de um cenário de devastação e fúria da natureza.

As pessoas estavam isoladas e nós não sabíamos como chegar até elas. Muitas pessoas andando sem rumo pela estrada em meio a barreiras e pedras, com o olhar perdido no horizonte, sem saber para onde ir. Um quadro de devastação sem precedentes em nossa região. Voltei para casa, e conseguindo alguns fios, consegui ligar o rádio na bateria do carro e ligar as antenas de HF e VHF para tentar contato com o centro da cidade. Já passavam das 18:00h quando consegui um contato e fiquei sabendo mais notícias sobre outros bairros que também haviam sido duramente atingidos. Alguns com muito mais gravidade que o meu. Naquele momento, ainda não podíamos fazer nada, mas posicionamos os colegas radioamadores sobre a nossa situação e do total isolamento.

Perdemos todas as ligações com o mundo externo, não havia uma saída sequer. O rádio era o nosso único meio de comunicação com a cidade, de onde esperávamos um socorro. A água potável naquele momento deixara de existir, as nascentes foram soterradas por desabamentos, as mangueiras que transportavam a água para os nossos reservatórios foram arrebentadas e soterradas, e só havia a água que restava em nossas caixas dágua.

Na manhã seguinte, reunimos os moradores que conseguíamos encontrar e começamos a conversar para nos organizarmos e tentar conseguir alguma ajuda. Uns se propuseram tentar chegar a cavalo, passando pelas florestas, outros andando por cima das barreiras, ainda com muitos riscos, devido a instabilidade do terreno, outros falando com os pequenos comerciantes para que juntassem os alimentos para centralizar em algum lugar e distribuir para as famílias que perderam tudo.

Neste meio tempo, fui até o posto de saúde para saber quais medicamentos eles tinham em estoque para atender aos feridos, e fiquei sabendo que haviam muitas vacinas que seriam perdidas caso não conseguíssemos gelo para a conservação das mesmas, uma vez que não havia mais energia elétrica e estas vacinas não suportariam uma temperatura mais elevada. Pelo painel digital que é alimentado com uma bateria de 9V, pudemos perceber que só havia mais uma hora de temperatura ideal para a conservação, e depois disto, tudo estaria perdido.

Estas vacinas seriam necessárias logo após as chuvas pararem de vez, pois a população que entrou em contato com a lama, ou fez uso da água contaminada, teriam que ser vacinadas. Foi quando consegui falar com o amigo e Radioamador GIANPAULO - PY1PQP, conhecido como Paulinho, que me atendeu no Repetidor 146.830. Expliquei a situação e ele imediatamente nos atendeu. Conseguiu ajuda de dois colegas de trabalho, eles trabalham na CRT, a empresa que administra a estrada,  e vieram a pé, vencendo as várias barreiras, andando mais de 6km com muita dificuldade e perigo, e conseguiram levar todas as vacinas para o Hospital Central de Teresópolis, onde ficaram armazenadas em um ambiente propício até que pudessem ser usadas. Este mesmo Paulinho, o PY1PQP, imediatamente organizou junto com outros colegas, uma rede de emergência, na qual eu me incluí, para poder ajudar as comunidades afetadas pela tragédia. O Paulinho rapidamente conseguiu emprestado alguns equipamentos de VHF dele e de outros colegas e pessoas se escalaram para ficar a disposição e ajudar. Assim, iniciou-se  a Rede de Emergência de Teresópolis, com operadores a serviço da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e seguiram para postos estratégicos e as ações de resgate se iniciaram, com o Paulinho comandando com muita competência, toda a rede de comunicações. Nas primeiras 48 horas que se seguiram, somente os radioamadores operaram nesta rede, e com muita eficiência e eficácia, fazendo com precisão, todos os comunicados que auxiliaram nas buscas e resgates das vítimas. Sem uma estrutura oficial montada, sem nenhuma organização formal, eles foram de uma importância estratégica imprescindível para o sucesso das operações. Incansáveis, com muito esforço e dedicação, ajudaram a salvar muitas vidas e deram um grande exemplo de integração, disciplina, ética e civismo.

Helicópteros do Governo, das Forças Armadas, das polícia Civil e Militar, e até particulares de empresários, se juntaram e sob o comando do Corpo de Bombeiros, decolavam para fazer resgates, levar operadores para as áreas que não tinham acesso, levar médicos, enfermeiros, medicamentos, combustível para os geradores, equipamentos especiais e equipes para trabalhar em terra na busca de sobreviventes. Uma dedicação e um trabalho incansável, de todos os envolvidos. Tanto os órgãos governamentais, com suas força-tarefa, quanto as empresas como CRT, AMPLA, OI, entre outras, não mediram esforços e continuam trabalhando para reestabelecer a normalidade das comunicações telefônicas, energia elétrica, acesso as estradas e localidades com a remoção de barreiras, pedras e árvores, a Cruz Vermelha e entidades sem fins lucrativos, como a ONG Viva RIO e outras, o Clube do Jeep 4x4 e outros voluntários, trazendo alimentos, água, roupas e remédios, médicos e enfermeiros, a própria Prefeitura de Teresópolis, recebendo as doações e fazendo a distribuição de forma organizada, recebendo e instalando as pessoas que foram resgatadas e não tinham mais para onde ir, dando-lhes conforto e assistência.

Os radioamadores, mais uma vez tiveram uma importância fundamental no processo de comunicação em apoio as autoridades envolvidas em todo este processo de resgate e apoio as vítimas da tragédia na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. Muito colegas largaram suas famílias, para ficarem de serviço nas localidades mais distantes e com acesso apenas por helicópteros, como foi o caso do nosso querido amigo Alex, que ficou por cinco dias, baseado na localidade de Santa Rita, completamente isolada até a sua chegada. Era o único meio de contato daquela localidade com as demais estações, para informar das necessidades e urgências. Mais operadores se destacaram e foram muito importantes para que a comunicação estabelecida funcionasse a contento, como por exemplo o excelente operador Eduardo-PU1JEN, importantíssimo neste processo, baseado no Quartel do Corpo de Bombeiros de Teresópolis, fazia o recebimento de mensagens e o atendimento às solicitações com extrema competência, nosso colega Julio-PU1JUL,  fazendo apoio e contato com a região de acesso a Nova Friburgo e o Antonio Carlos-PU1JGT, de sua casa em um ponto alto e estratégico, retransmitindo mensagens para auxiliar colegas mais distantes que não conseguiam acionar o repetidor, fazendo ligações telefônicas para nos atender e acessando a INTERNET em busca de informações que a todo instante solicitávamos, e a ótima atuação do Coordenador da defesa Civil, o Prof. Rangel, que incansável, tomava as decisões no tempo certo para que tudo fosse atendido e o sistema não sofresse interrupções.

Outros tantos heróis anônimos, foram igualmente importantes neste processo. Tudo isto, pela simples oportunidade de prestar ajuda e solidariedade com os próprios recursos e tempo, muitas vezes com o sacrifício de deixar as suas próprias famílias sem assistência, para ajudar ao próximo. E mais uma vez, quando tudo falha, quando o desespero bate a nossa porta, quando parece não haver esperança, quando todos os sistemas de comunicação falham ou são ineficientes, sempre há um Radioamador ou um Operador da Faixa do Cidadão por perto, pronto para entrar em ação. Parabéns para todos os Radioamadores, Operadores da faixa do cidadão e voluntários, que se empenharam em ajudar em um momento tão difícil.

Em meio a tanta tragédia, tantas perdas, tanta tristeza, o ponto alto e a grande lição, foi a solidariedade do povo brasileiro. Quero agradecer pelos meus amigos, pelos meus vizinhos, pela minha família e por mim, pela preocupação, pela solidariedade, pelo carinho com que as pessoas se empenharam em ajudar a nossa cidade, e a todos nós, vítimas deste desastre.

Fiquei muito emocionado, quando cinco dias depois que este turbilhão de problemas e emoções invadiram a minha vida, soube da campanha que a RADIOHAUS através do nosso amigo Erwin, PY2QI, iniciou para me ajudar e em especial a minha filha e sua família, que tudo perderam. Os telefones ainda não estão funcionando e ainda não temos a energia reestabelecida . Para conseguir contato telefônico, temos que ir até o centro da cidade e na estrada, procurar por pontos de sinal em nosso celular. Numa destas idas e vindas, o Erwin conseguiu ligar e falar comigo.

Fiquei bastante emocionado com a dedicação dele, da sua esposa Renata, e da sua familia em me ajudar, e mais ainda com a resposta que os radioamadores estão dando ao chamado da RADIOHAUS através da sua campanha. Quero registrar minha eterna gratidão, pelo carinho, pela dedicação, pelo interesse e atenção que todos estão nos dirigindo neste momento de grande aflição e necessidade.

Um agradecimento especial ao meu amigo e irmão Matos - PY1WG, que de forma incansável, tem nos ajudado até com sacrifício pessoal, e não deixou que nada faltasse em minha casa, para mim, minhas filhas, genros e netos. Conseguiu através da Viação Teresópolis, na pessoa do sr. Simonini, que os alimentos fossem transportados da Rodoviaria Novo Rio e armazenados na Garagem da Viação, para que eu pudesse buscá-los. Já tinha muita consideração e amizade pelo Matos, o PY1WG, por toda a ajuda e dedicação na manutenção do Site Feirinha DIGITAL, mas, não sabia que tinha um irmão dedicado, que largou tudo, todos os seus problemas, sua própria rotina de vida, e não sossegou enquanto não me ajudou, enquanto não soube que meus netos e minha filha, e nós,  estávamos bem e assistidos. Tenho que agradecer a Deus, por um dia ter permitido que nossos caminhos tenham se encontrado, pois ele foi de uma importância muito grande para a minha tranquilidade e na assistência para mim e meus familiares.

Num momento em que tudo parecia perdido, vivos mas sem perspectivas imediatas, sem comunicação, sem acesso a bancos, sem dinheiro para comprar alimentos, água para beber, sem luz, sem nenhum conforto, surge este amigo, aliás, AMIGO em maiúsculo, a quem considero como um irmão, proporcionando esta ajuda imprescindível para a nossa sobrevivência e tranquilidade.

Obrigado Matos, obrigado por tudo que você fez e está fazendo por nós, obrigado Erwin pela sua iniciativa, amizade e consideração, colocando dinheiro do próprio bolso, para angariar recursos para ajudar a minha filha e sua família, e finalmente, obrigado a todos os amigos que estão participando desta campanha para me ajudar.  Ainda não acordamos deste pesadelo, mas, a vida segue e continuamos na luta pela sobrevivência e pela reconstrução.

73 a todos
Bira / PY1UAP
   Área atingida pelo temporal que
devastou algumas localidades em
Itaipava, Teresópolis e Nova Friburgo

Veja detalhes da
região no
Google Earth
informando as
coordenadas abaixo:
 
LATITUDE
22'  10'6  83' S
LONGITUDE
42'  56'16  98" O

Na imagem ao lado,
o trecho em destaque,
demonstra a área
atingida, onde houve
muitos desabamentos,
enchentes e mortes
 

Mapa da tragédia - PY1UAP - Bira
Exemplos de comunicados das primeiras horas da Rede de Emergência de Teresópolis
 
Fotos tiradas a partir do segundo até o décimo quinto dia da tragédia